a coisadefogo

A bruxa danada

Quem nos escreveu esta história foi dona Délcia, da Madre: "Minha mãe quem contava para nós. Em um certo lugar, morava uma família que tinha um filho jovem, aos seus 17 anos, cheio de vida, um belo rapaz. E aos poucos ele foi ficando doente. Toda sexta-feira ele amanhecia abatido, cansado, sem forças para levantar, ele falava a seus pais que à noite, depois da meia-noite, descia uma coisa estranha em direção a seu peito e apertava seu pescoço. E foram se passando o tempo e o moço cada vez mais magro e debilitado. Um certo dia, sua mãe falou: nós vamos te levar até a casa de sua avó, ela sabe tantos remédios e é uma forte curandeira, vamos lá. Com grande custo levaram o moço. Chegando lá, a sua avó fez uns negócios de bruxaria, foi em direção a sua mãe e falou: Meu neto está sendo atacado pelas bruxas, vou ensinar uns truques e ele vai ficar melhor. Toda sexta-feira, após a meia-noite, vocês põem uma faca de ponta sobre seu peito, e em cima do cabo da faca põem um copo com água e ele fica segurando. Chegando a sexta-feira fizeram o tal remédio, mas em vez de colocar a faca de ponta sobre o peito do rapaz, eles colocaram ao contrário. Puseram o prato de água sobre o peito, e faca de cabo no prato, de ponta para cima. Passou a meia-noite, e de repente, ‘plufit’, do telhado despencou o que maltratava o moço. Seus pais acordaram com o grito. O pai falou: ‘Mas o que é isto? São os gritos de minha mãe’, respondeu o moço assustado. Foram olhar e sabem quem estava lá? Era sua avó. A bruxa espetada na faca. Ela queria matar o próprio neto e foi ao contrário. Esta velha danada vai ser bruxa lá pra longe!". (sic)

OLIVEIRA, Laércio Vitorino de Jesus (Org.). Memória: um patrimônio irrenunciável: comunidades do distrito de Ribeirão Pequeno da Laguna. Palhoça: Editora Unisul, 2010. Fotografia por: Beatriz da Rosa Gonçalves